Uma Abordagem Histórica para a AEQI – Parte II

A História da humanidade está repleta de fatos interessantes que mostram que produzir um bem ou serviço com qualidade faz parte da Estética Humana ou da Arte de Fazer as coisas bem feitas desde o primeiro momento em que se selecionam os insumos. Portanto a resposta à pergunta que formulei na parte anterior é Sim: A Qualidade é uma Arte.

Um exemplo, entre tantos, que deixamos de apreciar por falta, muitas vezes, de um domínio cognitivo orientado para as grandes idéias que serviram de modelo para construir a economia mundial, desde os tempos de Confúcio e de Marco Pólo, é o da invenção das caravelas. Apenas para marcar um limite no tempo estabeleci como marco histórico o evento relacionado com a construção das caravelas pelos técnicos e cientistas da Escola de Sagres em Portugal. A primeira nave marítima construída por exímios artesãos representa, para mim, um Fato de Administração da Qualidade bastante significativo; uma evidência da qualidade como arte.

Foi o começo do estado da arte em navegação e só se tornou possível graças aos talentos dos Mestres Artesãos que foram contratados para aquele ofício. Eles desenvolveram o desenho, a engenharia e a arte da construção da caravela e, mesmo sem o saberem, estavam realizando um trabalho de Administração Estratégica da Qualidade Integral (AEQI).

Naquela época uma Oficina era um centro de excelência e considero como o melhor dos modelos para desenvolvermos, hoje, um ambiente coletivo de qualidade dentro das organizações contemporâneas. O começo da excelência estava marcado pela quantidade de mínima de níveis de deliberação, de ação e de operação dentro da oficina. Havia somente três níveis de ação e de atividade os quais eram marcados pelas capacidades de seus ocupantes e o tempo de experiência: o Nível de Mestre Artesão, o maior e mais qualificado da Oficina, que em minha metáfora corresponde ao Circo; o Nível do Companheiro Artesão, que corresponde ao Time de Vôlei; e o Nível do Aprendiz Artesão, que era o de iniciação dentro de uma dada arte ou ofício e corresponde à Escola de Samba.

Com apenas três níveis decisórios aqueles profissionais construíam produtos de qualidade, durabilidade e conformidade aos requisitos do cliente e ainda assinavam termos de garantia para que o cliente se sentisse à vontade para devolver o produto caso não lhe contemplasse o estado de necessidade satisfeita. Este modelo de Excelência foi desprezado a partir do Século 17, quando se inicia o processo que resultou na I Revolução Industrial. O artesão (o Pensar e o Fazer) foi substituído pela máquina e os três níveis foram racionalmente modificados para atender às demandas de uma ciência fragmentadora, reducionista, mecanicista e limitadora do saber humano. Com isto nascia a empresa e os diversos níveis departamentais e as pessoas passaram a ser consideradas como recursos ou insumos de produção.

Aquela primeira caravela é para mim um marco para a excelência e até hoje, com toda a tecnologia disponível, os engenheiros e produtores não conseguiram criar uma réplica daquela nave com a mesma qualidade. Continuaremos.

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