Uma Abordagem Histórica para a AEQI – Parte III
A Primeira Revolução Industrial cria a maquinofatura e destrói a manufatura; ou, pelo menos, aquela parte mais popular da manufatura artesanal que atendia de forma inclusiva as populações foi relegada ao lixo surgindo novas divisões de trabalho, novas maneiras de realizar as tarefas e de usar os recursos escassos que não eram renováveis e se multiplicavam em produtos finais ao final de um processo de fabricação, em especial nas indústrias têxteis.
A invenção da Fábrica, resultado da mecanização dos teares acabou com as Oficinas de Artesanatos e transformou as Guildas em mercados de produtos industrializados, surgindo novos trabalhadores para novos tipos de trabalho. Desapareciam os três níveis fundamentais de um negócio e surgiam em seus lugares os níveis departamentais, tendo como departamento líder a Produção, dentro dos quais havia várias funções cada uma correspondendo a uma tarefa ou sub-tarefa.
Assim, as empresas possuíam desde o servente de produção, o limpador de máquinas, o carregador de máquina, o transportador de fardos, etc. até o capataz, o mestre de produção e o supervisor de produção, atribuições que, em algumas empresas eram reunidos em forma de cargos da produção e aí trabalhavam desde crianças e mulheres até ex-artesãos, ex-aprendizes e ex-companheiros que foram “desempregados” de seus afazeres personalizados para aprender a lidar com máquinas de produção mais avançadas e rápidas que produziam em vinte e quatro horas mais do que uma Oficina de Artesanato produzia em um ano.
Os bens antes feitos sob medida agora eram feitos para figuras abstratas, anônimas, totalmente desconhecidas do operário. Ele apenas era uma peça a mais no conjunto de recursos que geravam produtos para o consumo da população. Os aspectos qualitativos do produto final não eram mais tão importantes em sua integridade, mas apenas superficialmente, de sorte que a classificação qualitativa que antes era por peça agora é por grandes lotes de produto acabado.
Volto à questão entre inteligência e adaptação a que me referi na primeira parte deste texto. Assim como a sobrevivência de muitas espécies se deveu mais à capacidade de adaptação que à inteligência, o mesmo pode-se observar com os negócios humanos e seus consumidores ao longo de mais de 40.000 anos. Até mesmo para escolher um sítio ecológico para acomodar provisoriamente suas tribos, o hominídeo foi obrigado a usar das artes de perceber, de pensar, de escutar, de sentir, de observar e mais tarde de falar. Para conversar com a natureza, mesmo criando mitos e figuras intangíveis que se tornaram objeto de profunda adoração, aquele ser necessitou aguçar com muita intensidade os seus cinco sentidos.
A Qualidade começa a ser definida por cada um no momento em que o indivíduo passa a utilizar de forma efetiva os seus cinco sentidos e a carecer de um dado produto dentro de uma estrutura de necessidades maslowiana. Isto implica que não existe uma única qualidade, mas qualidades, e cada uma delas corresponde às competências essenciais de cada ser humano. Ao longo desses 40.000 anos o homem procurou por um processo complexo de adaptação escolher os produtos e serviços que mais rápido se adequassem às suas necessidades básicas a fim de poderem sobreviver dentro da natureza (ou do ambiente socioeconômico em que estava existindo).
Desde que o homem inicia o processo de comercialização de seus excedentes produtivos ele instiga na mente de outro (o comprador) um estímulo orientado para a conceituação da qualidade que seja necessária para satisfazer suas exigências de consumo. E essas exigências variam de indivíduo para indivíduo mesmo que se careça com muita rapidez de um dado bem, o que leva (e levava historicamente) as pessoas a adquirir um produto não tanto pela sua qualidade total mas pela qualidade complementar (de satisfação) que o produto mostra possuir para atender, ainda que de forma rápida, as principais necessidades da pessoa.
Pão, Paz e Liberdade
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